segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Abriu os olhos ao acordar. A miopia não a deixava enxergar bem o que se passava ao redor. O edredom ainda quentinho era acolhedor, e a vontade de ficar ali durante o resto do dia a fez respirar um tanto mais fundo do que o normal. Levantou.

A água quente do chuveiro foi acolhedora naquela segunda-feira enfadonha. Pensou com carinho em tudo o que tinha para fazer aquele dia: sair do banho, se arrumar, comer alguma coisa, ir trabalhar, ir à faculdade, enfrentar engarrafamento pra casa tarde da noite, tomar banho e dormir. Suspirou.

Era um daqueles dias em que não queria fazer nada, em que o dolce farniente tão comentado na época de "Comer, Rezar, Amar" seria a melhor opção para seu dia correr como o melhor dia da semana, e infelizmente não foi possível. Bocejou e continuou...

Mas a água quente do chuveiro não estava tão quente assim, a luz que insistia em atravessar a janela do quarto ao amanhecer atrapalhara seu sono e justo naquele dia uma manifestação em praça pública afetou o trânsito de tal maneira, que chegar ao trabalho foi uma verdadeira Via Sacra. Entristeceu.

E ,ao fim do dia, esbravejou. A luz do pôr-do-sol na janela que dá de lado para sua mesa de trabalho estava lhe causando uma dor de cabeça insuportável, enquanto Alanis Morissette dizia em seu fone de ouvido "que seria boa, mesmo que ganhasse 5kg", que naquele momento era exatamente o que parecia pesar sua cabeça, ainda da noite não dormida no final de semana.

Respirou... Abriu o e-mail de trabalho e voltou ao sistema em que passa 90% do seu tempo de trabalho. Queria, na verdade, ter aberto o e-mail pessoal e lido algo diferente de propaganda, informações de trabalhos da faculdade e cobrança de amigos que não a viam há tanto tempo.

Queria uma emissão de passagem em seu nome diretamente para Nova Iorque, totalmente paga, com tudo liberado... e de preferência, com open bar! Queria uma promoção onde não tivesse de pagar pelos próximos dois anos de faculdade. Queria que um certo alguém desse sinal de vida dizendo "sim, concordo que não podemos mais ser amigos, mas ainda assim eu sinto a sua falta".

E queria, mais que tudo, voltar ao quarto escuro, com o ar condicionado ligado e com a mesma Alanis Morissette cantando ao fundo, encerrando, assim, mais essa parcela vital de cotidiano.

2 comentários:

  1. Que crônica mais gostosa Dani. Tive um dia daqueles hoje e me identifiquei com cada linha do seu post.

    Boa noite para você
    Big Beijos
    Lulu on the Sky

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